quinta-feira, abril 16, 2009

A Lousã no dia 10 de Abril de 2009



Continuam por aparecer os 3 jovens altos e espadaúdos que na passada sexta feira se perderam em plena Serra da Lousã. Os Jovens vestiam umas roupas não suficientes pró frio que estava e é bem provável que batam à porta de uma qualquer casa das aldeias serranas a pedir por um copo de vinho e uma chouriça assada. Pede-se a quem souber do seu paradeiro o favor de não lhes negar mais vinho e chouriça e de contactar as autoridades locais

E podia ser esta a manchete de abertura do telejornal da TVI.
Só não foi porque eu e mais dois barbantes lá nos decidimos em caminhar 200 km até à Lousã para ver se estava tudo bem com a malta que não se tinha perdido.

E eis que se segue o relato da mais mirabulastica viagem de todos os tempos por terrenos lousanenses.

Tudo começa numa noite de chuva, em minha casa. Quinta feira chego eu à santa terrinha completamente tresloucado e em contagem decrescente para a nossa viagem convívio à Lousã. O tempo estava a prometer, mas ainda assim imperava o lema “morra quem se negue”.
Depois de ir à Btterra (passo a publicidade) adquirir uma binacleta super hiper mega riiii potente, lá vou eu pra casa feliz da vida, contacto o Palito e bora pra minha casa jantar e montar a bike. 1.º percalço logo a adivinhar a desgraça que nos esperava no dia a seguir: Não tinha sal grosso em casa. Como é óbvio o jantar ficou insonso, isto os azares nunca vêm sós. Bom lá começamos de volta da bike, e rapidamente nos apercebemos que metade das peças ou não encaixavam, ou não havia, ou estavam esquecidas em qualquer lado. Lá se andou pra trás e pra frente e aquele monte de ferro branco começou a assemelhar-se a uma bicicleta. O pessoal começou-se a juntar em minha casa para a antevisão da viagem e eis que surge o 2º percalço da noite, mais uma vez a fazer adivinhar o azar que nos esperava: acabaram as minis. Claro está, tudo à sede em minha casa, o que é inadmissível.
Duas da manhã e a bike já estava com os parafusos apertados, pelos vistos mal apertados conforme irei explicar infra.

Sexta feira sete e meia da manhã, salto da cama num ápice, dá-me logo aquela dor ao fundo das costas como de costume e tá a esperar pelo pessoal que devia de ter chegado às 8h em ponto. Aqui já andava eu a jurar pelas peles do Manager e do Puto que à ultima hora se tinham lembrado de falhar com o pessoal. Lá apareceram o que me deixou muito mais bem disposto, ao contrário daquele bolo que comi na pastelaria em Leiria (coco com queijo e fiambre, uma real merda).

Partida largada fugida e toca a acelerar até à bendita Serra.
Chegamos, eu ainda não estava em mim com tamanha felicidade, equipamos zinga estrada a cima direito ao Santuário do Trevim. Posso dizer que lá estava um tempo espectacular, inclusive a Mónica até estava para montar lá uma espreguiçadeira e deitar-se a apanhar uns belos flocos de neve, mas aquilo era um bocado incómodo porque congelava a malta e tal. Tudo cheio de pica pra arrancar, tiramos a foto e família e Geróoonimo here we go Serra abaixo. Logo a começar eu arrisco uma manobra muito potente que consistia em saltar uma poça sem tocar na água, consigo a proeza mas claro, saltam logo metade dos parafusos que tinha na bike( la está a história dos parafusos). Faço isto e o Rui que vinha em altas fica sem corrente. Entretanto atrás vinha o Puto fudido da vida porque achava que a suspensão dele tinha congelado ao frio. Paramos os 3 a tentar remediar aqueles males, tudo check e tal e zinga outra vez por ali abaixo.
E aqui é que começa o verdadeiro filme da Lousã.
Cruzamento n.º 1, pergunta o Rui: - Então oh Kim, e agora?! Ao que eu respondo: - Oh Kim
agora, fodasse, não sei.
O resto da nossa descida com duração de 3h30 resume-se a estas duas frases” e agora”; “agora, fodasse, não sei”

E foi assim que conseguimos arrancar do Trevim com destino à Lousã, com direito a passar em não sei quantas aldeias perdidas no meio da Serra, aproveitamos também para conhecer Goís, Vilarinho e depois lá rumamos à Lousã, preocupados que estávamos com o pessoal que tinha feito a descida toda em se ter perdido uma vez. O que se passou pelo caminho não vou escrever porque não tinha blog suficiente pra relatar a caminhada de 3h30 que fizemos, e além disso doem-me as pernas só de pensar.
Arrancada do Trevim às 11h30, chegada à Lousã às 3 da tarde, viemos sempre a fundo, como podem ver com uma média excelente. Parecia-mos 3 cristos quando cruzamos a Nave de Exposições, cada uma com sua bicicleta e cada bicicleta com o seu empeno. Valeu pela experiência de survivor, pelo convívio com as gentes típicas da Serra que curiosamente cheiram todas a vinhaça da ruim…..
A seguir a isto, veio a melhor parte da tarde, o almoço servido caridosamente por uma Marisqueira da qual não sei o nome, mas que elaborou uns belos de uns bitoques a horas pouco próprias para almoços. Um bem haja ao Senhor da Marisqueira e à respectiva cozinheira.


Hei de lá voltar com certeza.
Comer e tal, palhaçada e coiso, os maricas do costume que não beberam média ao almoço e estávamos prontos para aproveitar a tarde em grande. Tenho de confessar que este almoço não foi bem aquilo que se depreende de almoçar na Lousã, muito graças ao espírito que havia entre a malta, a manhã realmente não tinha corrido pelo melhor.
Tá a equipar, toca a carregar a bikes e……… mais um valente fodasse, tá tudo a galgar fora da carrinha porque aquela merda não sobe na lama. Pois é, como o dia até estava a correr bem, tínhamos de ficar atolados na puta da lama. Ainda hoje estou para saber quem foi o esperto que se lembrou de espalhar aquela areia ou lá o que era na estrada. Realmente foi mesmo muito boa ideia. Havia de lá ir bater com o focinho na merda e depois vir um javali e comer-lhe a peidola, que da próxima vez já não se lembrava de tamanha asneira.
Até aqui eram só coisas boas a acontecer, e claro está para ajudar à festa tínhamos o São Pedro sempre a fazer das suas com chuva e frio quase constantes. O que como é lógico nos deixou a todos muito contentes e felizes porque o dia estava a correr mesmo bem.
Para colmatar a coisa, a minha bike estava mais uma vez avariada, eu não tinha nem uma descida feita, e ainda por cima tenho de ouvir barbaridades da boca de um miúdo de 10 anos a dizer que é do Benfica (tenho esperança que mude um dia). Antes de irmos embora lá insisti para descermos mais uma vez desta lá fui eu descer um sinuoso e muito técnico estradão de terra até uma estrada de alcatrão. Vale mesmo a pena ir à Lousã cortir este troço.
Tá tudo a carregar as bikes novamente e ala que se faz tarde. Pit stop na tasca pra meter uma mine ao buxo, conversa, mais um cigarrito e zarpar até casa (nesta altura ainda andava o Rui a dizer fodasses pra todo o lado depois de ter experimentado o DH).

Bem, lendo esta merda toda, tá aqui trabalho sim senhor, 1257 palavras para descrever aquela que foi a pior viagem de todos os tempos do IronTeam. Salva-se o facto de ter juntado a malta quase toda e de ter bebido 2 médias e 2 minis. De resto foi o azar e o fracasso total.

Da próxima vez vai ser melhor de certeza. Até porque já sei o que preciso de levar a mais para que tudo corra bem: GPS com sistema de navegação no meio da Serra; um toldo suficientemente grande que dê pra tapar a Serra inteira no caso de estar a chover; uma máquina de alcatroar estradas para o caso de haver lama; e um mecânico de jeito para o caso da bike avariar, com uma mala de ferramentas a sério. Só não sei é se a mala das ferramentas me cabe na carrinha….. de resto é tranquilo……

Até uma próxima edição da série Riders e Cabras vagueando nas Serras parte a ½, o Regresso dos Guerreiros.

Aquela saudação

1 comentário:

Joao IronTeam disse...

Ena Ena tanto comentário a esta fabulástica viagem.

Deu para ver que foi do agrado de todos, e aqueles que não foram se arrependem veemente por teram ficado em terra.

Próxima aventura já está marcada para Sintra + Turcifal no fim de Semana de 25 e 26 de Abril.

Além dos suspeitos do costume há mais algum interessado?